



Este blog surgiu com a ideia de partilhar conhecimento sobre artesanato e este amor resultou, também, em meu ateliê físico Ednamar Artesanato e amo o que faço! Hoje me dedico as redes sociais, ao ateliê, em dar aulas de artesanato e ao empreendedorismo. Espero que gostem das postagens, sejam bem vindos a um pouquinho destes meus amores ♥️














A Renda Renascença é uma renda tradicional feita manualmente com agulha de costura, linha e lace (fita própria que estrutura o desenho). Trata-se de um trabalho minucioso, de extrema precisão, que atravessa gerações e carrega consigo história, cultura e afeto.
A Renda Renascença tem origem europeia, mas encontrou no Nordeste brasileiro um solo fértil para se desenvolver e ganhar identidade própria. Estados como Paraíba, Pernambuco e Ceará tornaram-se referências nesse saber artesanal, passado de mãe para filha, de mestra para aprendiz.
Além da beleza estética, essa renda representa resistência cultural, geração de renda e valorização do fazer manual. Cada peça é única, resultado de horas — às vezes dias — de trabalho cuidadoso.
Atualmente, a Renda Renascença é muito valorizada na alta costura, sendo presença constante em:
Vestidos de noiva e de festa
Roupas de batizado
Peças autorais e exclusivas
No entanto, seu uso na decoração cresce a cada ano. Na mesa posta, ela se destaca em toalhas, caminhos de mesa, guardanapos e, claro, em delicados descansos de pires, como o trabalho que compartilho hoje.
O processo de produção é totalmente artesanal e segue etapas bem definidas:
O desenho (risco) é feito em papel vegetal ou papel manteiga;
Esse risco é alinhavado sobre um papel mais firme — costumo usar papel pardo;
O conjunto é preso em um rolo próprio para renda;
A partir daí, a renda é tecida com agulha, seguindo os pontos que o risco determina.
É um trabalho que exige concentração, paciência e muito amor pelo que se faz.
A cada ano, a Renda Renascença ganha mais espaço e reconhecimento, justamente por ser um trabalho complexo e altamente especializado. Em um mundo cada vez mais industrializado, o artesanal se destaca pelo tempo, pela história e pela exclusividade que carrega.
Valorizar essa renda é também valorizar as artesãs, sua cultura e seu conhecimento.
Olá, amigos(as)!
Nem todos conhecem a Renda Renascença, mas quem conhece, se apaixona. Eu sou suspeita para falar, pois amo profundamente esse tipo de trabalho. Sendo nordestina, o artesanato faz parte das minhas origens e da minha história.
Hoje, confesso que não produzo renda com a frequência que gostaria. A maior dificuldade tem sido encontrar o lace, material indispensável para a Renascença. Sem ele, simplesmente não há como trabalhar essa técnica. Ainda tenho alguns trabalhos no rolo, aguardando tempo, calma e, claro, material.
Já fazia um tempo que eu não trazia uma peça em renda para o blog. No entanto, foram tantas mensagens de amigas — perguntando se eu não faria mais renda, pedindo indicação de cursos, revistas, linhas e locais para compra de materiais — que me senti motivada a finalizar este trabalho especial.
Respondendo às perguntas mais frequentes: infelizmente, no momento, não tenho indicação de cursos de Renda Renascença, assim como também enfrento dificuldades para encontrar materiais. Isso é muito triste, pois acaba dificultando a popularização de uma técnica tão rica e bonita.
Ainda assim, sigo acreditando que falar sobre a renda, mostrar peças e compartilhar conhecimento é uma forma de mantê-la viva.
Agora, vamos à arte de hoje ✨
Este jogo de descanso de pires foi todo trabalhado em Renda Renascença, com lace e linha na cor branca. É uma peça delicada, elegante e cheia de personalidade.
Gosto muito de receber amigos e familiares para um café da tarde. Por isso, optei por criar esses descansos de pires que, quando bem engomados, dão um toque especial à composição da mesa, valorizando cada detalhe do momento.
E você, já conhecia a Renda Renascença? Já fez ou ainda faz esse tipo de renda?
Vou ficando por aqui, pois o dever me chama.
Desejo a todos um lindo dia.
Beijos,
Ednamar


























A toalha de bandeja tem como principal objetivo forrar a bandeja, oferecendo mais segurança e conforto ao servir. Ela evita que copos, xícaras ou objetos escorreguem e, além disso, absorve pequenos respingos de líquidos, impedindo que incidentes chamem atenção ou causem desconforto.
Dessa forma, a toalha de bandeja transforma o ato de servir em um momento mais agradável, elegante e organizado. Trata-se de um item clássico, utilizado desde a antiguidade em diferentes contextos, sempre associado ao cuidado e à atenção aos detalhes.
Quando falamos de toalhas e de cuidado, a história nos leva muito longe. Há registros do uso de tecidos para higiene e rituais já na Mesopotâmia e no Egito Antigo. Com o passar dos séculos, à medida que o ato de servir se tornava mais sofisticado, o uso de toalhas e a toalha de bandeja foi se consolidando.
Inicialmente, as toalhas de linho surgiram com funções cerimoniais e de higiene pessoal. Posteriormente, durante a Idade Média, o hábito de utilizar toalhas brancas ou decoradas para forrar mesas e bandejas se popularizou, especialmente entre famílias que valorizavam o ritual do servir.
No início, as toalhas de bandeja eram simples e extremamente delicadas. Os materiais mais comuns incluíam linho, cambraia de linho e rendas finas, tecidos amplamente utilizados nos primeiros séculos.
Além disso, essas peças eram trabalhadas com técnicas tradicionais como bordado, richelieu, vagonite e outras variações manuais. Para finalizar, utilizava-se o canto mitrado, considerado um acabamento refinado e elegante. Muitas toalhas também recebiam rendas delicadas, babados sutis ou bicos de crochê feitos com linhas finas, o que conferia leveza e sofisticação à peça.
Sim, a toalha de bandeja continua presente e atual. Trata-se de um item atemporal, que atravessou gerações sem perder sua função nem seu charme.
Hoje, ela é utilizada para:
servir café da manhã na cama;
compor bandejas para servir café ou chá na sala;
organizar bandejas em escritórios;
decorar o famoso “cantinho do café” em casas e empresas.
Nesses espaços, a toalha de bandeja faz toda a diferença. Além de valorizar o ambiente, ela evita que pingos, farelos ou respingos se espalhem, mantendo tudo mais limpo e organizado.
Na antiguidade, as toalhas de bandeja em tecido também eram muito utilizadas em ambientes comerciais. Elas facilitavam o atendimento e ajudavam a evitar que copos e bebidas escorregassem durante o serviço.
Com o tempo e a adoção de normas mais rígidas de higiene, os tecidos deram lugar a itens descartáveis. Ainda assim, a toalha de bandeja teve um papel importante na história do servir profissional.
Desde a antiguidade, banheiros e lavabos sempre receberam atenção especial. Nesses ambientes, bandejas forradas com toalhas finas eram usadas para organizar sabonetes, toalhas extras, perfumes e pequenos objetos.
Essa organização tornava o espaço mais funcional, além de transmitir cuidado e sofisticação — um hábito que, até hoje, faz toda a diferença tanto em ambientes domésticos quanto comerciais.
Em tempos passados, era comum chegar a uma casa e encontrar uma bandeja montada, com toalha e copos ou xícaras já dispostos, bastando apenas acrescentar a bebida a ser servida.
Durante muito tempo, ter uma bandeja bem montada e uma louça bonita era o sonho de muitas mulheres. Mais do que um objeto funcional, a toalha de bandeja representava zelo, organização e acolhimento.
Na prática, não existe um único modelo ou material correto. A escolha depende de vários fatores, como:
formato da bandeja (retangular, oval, quadrada);
material da bandeja (vidro, inox, madeira);
ocasião ou finalidade de uso.
No entanto, de forma geral, as toalhas de bandeja podem ser:
confeccionadas em tecidos finos;
feitas em crochê com linhas delicadas, como o crochê filé;
produzidas com rendas leves;
bordadas em ponto cruz, vagonite ou richelieu.
O mais importante é garantir segurança. Para bandejas de servir bebidas, por exemplo, recomenda-se evitar relevos muito altos, que podem causar acidentes.
Depois de falar sobre a importância histórica dessa peça, não poderia deixar de compartilhar esta toalha de bandeja que confeccionei sob encomenda.
Ela possui relevo, e faço questão de explicar o motivo. A cliente solicitou esse modelo específico, pois a bandeja ficaria fixa sobre uma mesinha com um pote de balas. Nesse caso, bastava levantar a tampa para servir, sem risco de tombar xícaras ou copos. Por isso, a toalha foi feita sob medida e pensada exclusivamente para essa finalidade.
Se fosse para servir café ou chá, não recomendaria esse modelo, justamente por conta do relevo e dos espaços entre uma roseta e outra.
A peça foi confeccionada com linha Camila, um fio de algodão simples, acessível e fácil de encontrar. O modelo foi escolhido pela cliente, e confesso que gosto muito desse tipo de trabalho.
As rosetas são feitas individualmente e unidas durante o processo, o que torna a produção mais leve e prazerosa. Para definir o tamanho correto, a cliente trouxe a bandeja até mim. Como se tratava de uma bandeja de inox, com detalhes na borda, fiz um molde em papel, respeitando o formato oval do centro.
A partir desse molde, produzi a toalha exatamente dentro das medidas, garantindo um encaixe perfeito. O resultado me encantou, e fiquei imaginando como aquele espaço deve ter ficado ainda mais bonito com esse cuidado artesanal.
Agora me conta:
você tem bandeja em casa? Costuma usar toalha de bandeja?
E, talvez a pergunta mais importante: de quem você lembra quando vê uma toalha de bandeja?
Vou ficando por aqui, torcendo para que esse tema toque muitos corações e nos motive a manter vivo um hábito cheio de significado, que nos conecta às nossas avós, bisavós e à nossa própria história.
Desejo a todos um dia lindo e abençoado.
Beijos e até o próximo post 🤍